De quando eu tinha medo de te assustar

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Por que eu tenho que ser normal? Por que preciso fazer de conta que não gosto nem um pouco de você? Por que não posso simplesmente falar o quanto eu te quero aqui pelos próximos trinta anos pelo menos? Por que eu não posso te apertar com toda a pouca força que eu tenho sem medo de parecer uma louca? Por que ficou tudo tão vazio, tão superficial e raso que uma mera demonstração de afeto causa tanto estranhamento? 

Queria só romper essa barreira entre mim e as pessoas que importam. Só isso. Sei que seria demais pedir pelo restante do mundo. Sei que já é difícil dar conta daquilo que está perto da gente. Sei que já é difícil encarar o seu olhar sem poder dizer tanta coisa que eu queria. Finjo descaradamente que eu quero mesmo fazer aquelas piadinhas sobre coisas que nem me importam de verdade. Tudo pela companhia. E não é que eu precise disso. É só que eu gosto de te ter por perto. 

Então, escrevo. As músicas, os textos e as cartas que guardo numa caixa no fundo do guarda-roupas. Guardo o carinho, o beijo e o abraço. Guardo o sorriso, a espera e a saudade. Guardo tudo e aguardo. Porque, quem sabe um dia, você possa sair do raso, do seguro, do que não dá medo, pra tentar mergulhar um pouco mais, se arriscar mais e perceber que é isso mesmo: o risco, o riso, a saudade apertando, o clichê, a música no repeat, as mãos suando e o coração vibrando dentro da gente. E é tão bonito que é uma tristeza não poder dizer só porque mostrar o quanto a gente sente pode assustar alguém.

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