Fragilidades

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A gente pode passar muito tempo se escondendo, montando uma fortaleza pra ninguém perceber, e pra gente se esquecer. Mas lá no fundo, quando um sino toca longe, quando uma nota traz à tona ou quando o silêncio invade o cômodo, a gente sabe as fragilidades que carrega. E seria muito descuidado fechar os olhos pra isso ou fazer de conta que a gente é forte além do que se pode ser.

É claro que as nossas fragilidades não precisam ser expostas. Existem pessoas más no mundo se aproveitando das fraquezas dos outros pra se sentirem menos frágeis. E por isso a gente precisa conhecer de perto a cor e a espessura do que é frágil em nós. Pra saber até onde ir, saber o que machuca pra se manter longe, conhecer os limites, as verdades e até quando é seguro olhar de perto. E isso não na intenção de nos tornarmos covardes, mas na intenção de não nos ferirmos sem necessidade.

Não é vergonha alguma se reconhecer frágil em algum momento. Todos somos em alguma coisa. E reconhecer nossas fragilidades não significa deixar que elas sejam maiores do que a nossa vontade em vencê-las, mas saber a melhor maneira de lidar com elas, de lidar conosco. É se conhecer e saber onde o calo aperta, se já é seguro olhar pra fora e se já é hora de arriscar. Arriscar nem sempre garante que algo vai dar certo, mas se reconhecemos as nossas fragilidades, não ficamos tão desesperados com a possibilidade de nada sair como imaginamos. E o caminho pra recomeçar fica mais perto.

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