As incertezas desse tal amor

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Eu queria que a gente conversasse mais. Sabe, sair do automático e do papo superficial de vez em quando seria bom. Talvez eu pudesse entender, medir, saber se dá mesmo pra contar com você e te incluir nos meus planos pro futuro. Mas talvez isso seja loucura e o supérfluo, leve e raso papo que a gente tem é que sirva de parâmetro pra eu saber o que é saudável, real e possível. 

Sei lá, mas as conexões mentais, as conversas de horas e desabafos parecem sempre me colocar perto de quem nunca vai me pertencer. E não que eu pretenda trancar uma pessoa no porão e isolá-la do mundo, numa tentativa inútil de ter atenção, mas as pessoas que mais entendem, que mais dividem e encantam, costumam ser as que não ficam. Alguma coisa na maneira como elas veem a vida, sentem a liberdade e não encontram sentido nas relações normais. 

Muita gente sonha com uma vida normal: crescer, ter um trabalho que dê pra viver, casar, ter filhos e uma vida sem grandes emoções. E tem gente que não se encaixa nisso de maneira nenhuma. Eles sentem prazer em coisas diferentes, impalpáveis, que a maioria dos simples mortais não consegue alcançar. Então, é muito fácil brilhar os olhos pra esse mundo fantástico, mas ele não tem entrada. É só uma prova de uma coisa que nunca será de verdade, nunca fará parte da rotina de alguém que se encante por ele. 

Pra ser menos romântica e mais realista, parece que a gente tem uma certa fascinação pelo muito difícil (ou impossível). Mas o ideal é saber a hora de parar de sonhar à toa e abrir os olhos pro amor que a gente encontra nos detalhes. Mesmo que ele não goste muito de falar ou só responda com sim ou não. Pode existir uma linguagem não necessariamente verbal. Um beijo na testa, um olhar fixo em sua direção enquanto você tagarela sem parar sobre um assunto aleatório ou um "estou aqui" disfarçado de mensagem de bom dia. 

O amor pode aparecer de muitas maneiras diferentes. Já parou pra pensar nisso? Pode ser do jeito que a gente espera, mas pode especialmente não ser nada disso. Vai saber...

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