Quando é pra ser

16:17

Quando é pra ser, simplesmente acontece. Sem essa frescura de orgulho. O amor é maior, eu acredito. Não tem celular desligado nem chamada na caixa postal. Quando é pra ser a gente não aguenta de saudade e manda mensagem só pra pessoa saber que pensamos nela. Não tem esse joguinho de quem desiste de fazer jogo duro primeiro.

Eu pensei nisso tudo e lembrei de você. Lembrei da sua chamada inesperada. Lembrei das vezes que eu te liguei e nada. Pensei numa foto nossa e na sua pose fake de mau. Essa foto nem existe, mas eu pensei nela no topo deste texto. Eu penso demais e lembro das broncas que você me dava porque via que isso me deixava meio louca.

A minha mania não mudou, mas você mudou demais. Aquela nossa última conversa me fez perceber que só dá pra esperar mesmo. Não tem como achar que alguém é melhor do que a gente só porque se expressa de um jeito diferente e faz alguma coisa que a gente admira. Não tem como entregar o coração pra alguém por causa de uma conversa entrelinhas, sem olho no olho, sem decifrar os códigos que cada um libera sem querer. Não tem como confiar que alguém é pra vida toda sem entender os defeitos, sem ultrapassar dificuldades.

Eu ainda gosto das piadas ridículas que você faz, gosto da forma como você defende a sua verdade com unhas e dentes, gosto da voz que eu entendo muito mal durante a ligação, gosto de muitas coisas em você. Eu gosto de você. Mas não gosto da pessoa que eu fui daquela vez, quando a chamada foi pra caixa postal porque você não quis atender. Acho que eu nunca agradeci por aquilo. Obrigada. Esse gesto fez com que eu percebesse a perda de tempo que é viver suspirando à toa, sonhando com coisas muito pouco prováveis. É verdade que eu sou sonhadora sim, mas existem sonhos que não valem tanto a pena.

Demorei a entender, mas entendi que quando é pra ser, simplesmente é (como eu disse antes). E se for pra ser, a saudade vai apertar, os olhos vão brilhar e aquele clichê gostoso que é o amor vai acontecer. Mas se não for, meu telefone vai tocar com uma música padrão e seremos bons amigos. Vou bancar sua psicóloga e quando eu desligar não vou sorrir como uma criança boba, mas cair no sono. Vou dormir com o coração tranquilo, a esperança e a certeza de que quando for pra ser, vai ser. Pela última e definitiva vez.

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6 comentários

  1. Adorei, tu escreve muito bem! Eu detesto joguinho e orgulho, sei lá, já fiz/recebi muito isso e só me fez mal. Bem que tu fez de te libertar disso. :)

    http://desapegomental.com/

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    1. A gente nunca se liberta totalmente. Porque, infelizmente, mesmo que a gente não jogue, os outros jogam (com a gente). Mas ainda acredito que jogar limpo é a melhor.

      Obrigada por comentar. Beijos ♥

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    2. Depois que reli que percebi a gafe. Jogar limpo = ser verdadeiro e não brincar com os próprios sentimentos, nem com os sentimentos do outro. Ou seja, exatamente não recorrer aos joguinhos psicológicos.

      Ó, céus, que pessoa doida eu sou! Hahaha

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    3. Depois que reli que percebi a gafe. Jogar limpo = ser verdadeiro e não brincar com os próprios sentimentos, nem com os sentimentos do outro. Ou seja, exatamente não recorrer aos joguinhos psicológicos.

      Ó, céus, que pessoa doida eu sou! Hahaha

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  2. " Não tem como entregar o coração pra alguém por causa de uma conversa entrelinhas, sem olho no olho, sem decifrar os códigos que cada um libera sem querer. Não tem como confiar que alguém é pra vida toda sem entender os defeitos, sem ultrapassar dificuldades."

    Verdade, Elisa! E mais verdade ainda quando tu diz que quando é pra ser, acontece. Não adianta dar créditos à ilusão ou criar falsas expectativas - o amor, aquele clichê gostoso, acontece quando tem que acontecer.
    Adorei teu texto! Tu escreve muito bem.
    Super beijo
    http://www.giseleescobar.com.br/

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    1. Muito obrigada! Gosto muito de escrever sobre esses assuntos. Fico feliz que tenha gostado. Beijos ♥

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