Das coisas que bastam

13:45

Nós concordamos que não tinha nada a ver continuarmos conversando sobre nós dois e mudamos de assunto. Perguntei do trabalho, você fez suas piadas e a conversa continuou como se nem tivéssemos parado pra pensar em como tudo aquilo era estranho. Bem, na verdade, eu pensei. Mas acho que esse é o tipo de coisa que você ignora, tipo a minha resposta ao seu convite de trabalho. Vez ou outra eu ainda arrisco ouvir a nossa trilha sonora. É estranho chamar de nossa, mas você conhece as músicas.

Foram algumas semanas bem tensas até o seu pedido de desculpas e eu te odiei por ter demorado a fazer sua parte, mas amei o fato de não ter sido um motivo pior. Não que eu tenha me conformado com o fim que teve, mas é bom saber que dá pra continuar uma amizade que sempre me fez bem. Tudo bem se eu não puder falar com você sempre, mas não preciso ficar triste nem ignorar o sinalzinho verde na sua foto do chat quando eu ficar até mais tarde conectada e com insônia.

Eu ainda lembro das suas piadas e de como você parecia um meninão falando das coisas que você gosta e como eu ficava feliz e te admirava por isso. Ainda lembro da companhia que você me fazia nas coisas mais chatas, mas que eu precisava fazer, tipo enfrentar a fila dos correios.

É muito fácil lembrar de você e rir de como você me fazia rir. E como você era insuportavelmente o que eu gostava, sem fazer o menor esforço pra tal. Chato, irritante, implicante, irônico, completamente dedicado à sua paixão na vida, um foco fora de série, inconvenientemente opinioso. Eu amava os seus defeitos. Acho que você não percebeu essa parte.

Eu sou óbvia demais e sei que, na vida, todo mundo que é muito óbvio acaba perdendo a vantagem. Mas tudo bem. Eu aprendi a me contentar com o mesmo tanto que você se contentava. E me bastam as lembranças de uma história que não aconteceu.

Me basta lembrar de você brincando com a sua camisa de banda, naquele dia na praça em que eu achei que tinham visto a gente. Me basta lembrar de como a gente discutia por bobeira enquanto eu ouço a "nossa trilha sonora", num momento totalmente nostálgico em que você nunca foi embora. E eu torço pra que nunca vá.

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2 comentários

  1. Elisa! Quanto tempo...
    Nos últimos dias, após sua misteriosa sumida, eu estive me perguntando por onde andava e por qual motivo eu não encontrava mais seu blog. E, mesmo que eu não tenha obtido respostas, encontrei você, de novo. Haha.
    Acho que com umas mudanças e já posso informar que gostei de tudo. Inclusive deste texto incrível que, como sempre, escreveu. Senti falta.
    De qualquer forma, foi bom reencontrá-la e relê-la.
    Lindo texto e lindo blog! Parabéns!!

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    1. Sâmela, me perdoa! Eu lembrava de você, mas sempre esquecia de te procurar e procurar o seu blog. Tive super problemas e precisei recomeçar. Muito feliz com a sua mensagem, muito feliz por ser apreciada por pessoas talentosas como você. Obrigadão. Beijooo ♥

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