Poem A Day - A morte

23:51

Era um telefonema. E eu fiquei animada porque sentia saudades daquela voz. Mas a notícia não era boa. Ela havia chegado pra um de nós. E, como era de se esperar, acreditar foi difícil. Eu senti raiva, indignação, frustração, saudades, confusão.

Era jovem demais. Querido demais. Improvável demais. Mas nada disso faz grande diferença quando a hora chega. E a forma como isso acontece nunca nos deixará satisfeitos. Mas nossa satisfação não manda em nada e as pessoas se vão mesmo assim. Antes da hora que a gente acha ideal, de um jeito que a gente não entende nunca. Nunca mesmo.

Eu não quis dar adeus. Não quis encarar seus olhos fechados porque a culpa de não ter me esforçado pra vê-los abertos uma última vez me consumia. Me senti uma hipócrita, uma falsa. Só depois eu fui ver que não se tratava de mim, mas de alguém que era importante e eu não descobri a tempo de dizer.

De vez em quando eu lembro de coisas que nunca mais disse pra ninguém. De uma risada que contagiava todo mundo. De um abraço irreproduzível. De como era bom e transmitia paz mesmo sem tentar.

A morte chega pra todo mundo. Ela nunca é feliz e nós nunca estamos preparados pra ela. Mas não seremos isentos por causa do nosso despreparo. Não podemos morrer a morte dos outros ou deixar que em nós morra o que faz com que os que se foram vivam pra sempre dentro de nós.

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2 comentários

  1. não podemos morrer a morte dos outros!

    que textão ♥ curti muito. deu até arrepios.

    ótimo 2015 pra nós!
    gabryel fellipe

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